A pilcha não é fantasia de setembro: é o jeito de vestir do gaúcho, e em Porto Alegre há um circuito de lojas tradicionais onde bombacha, botas, guaiaca, lenço e chapéu se compram o ano inteiro. Este guia reúne endereços, faixas de preço e horários para montar a sua indumentária sem improviso.
O que é a pilcha e por que ela importa
O termo “pilcha” vem do castelhano antigo e chegou ao Rio Grande do Sul pela campanha e pela fronteira, designando o conjunto da indumentária do gaúcho. Bombacha, faixa ou guaiaca, bota ou alpargata, camisa, lenço, chapéu e, por vezes, o pala completam o traje. O que era roupa de trabalho no campo virou símbolo de identidade: nos CTGs e desfiles farroupilhas, cada peça tem seu lugar e sua função.
Hoje a pilcha aparece em festas campeiras, no Acampamento Farroupilha, em rodeios e na Semana Farroupilha — e também virou moda, com bombachas jeans, botas country e lenços coloridos no guarda-roupa urbano. Comprar bem, com caimento certo, faz diferença.
Lojas tradicionais no Centro de Porto Alegre
O Centro Histórico concentra algumas das casas mais antigas da cidade.
Casa do Peão (Av. Alberto Bins, 393)
Loja clássica de artigos regionais, com pilchas, vestidos de prenda, chapéus e artesanato. Fica no Centro Histórico, com atendimento de segunda a sexta das 8h30 às 18h30 e sábado das 8h30 às 16h. Telefone: (51) 3225-6262. É uma parada de custo acessível e boa para quem busca o kit básico.
Pithan Pilchas (Rua Doutor Flores, 22 – Centro Histórico)
No ramo desde 1998, confecciona e vende vestuário gaúcho no atacado e no varejo, com envio para todo o Brasil. Endereço no coração da cidade, na região da Praça Otávio Rocha. Telefone: (51) 3013-8047. Bons preços para quem compra em conjunto ou quer peça de fabricação própria.
O Bolichão (Av. da Azenha, 1195 – Loja 02, Azenha)
No comércio de pilchas desde 1970, oferece botas e chinelos campeiros (do número 21 ao 46), alpargatas, bombachas masculinas e femininas, guaiacas, lenços, faixas e vestidos de prenda. Também tem chapéus (do campeiro ao social) e botas country. Telefone: (51) 3217-6894. Aceita cartão.
Atacado das Pilchas – Lojas Danças & Andanças (Rua Conselheiro D’Ávila, 449)
Roupas tradicionais gaúchas para todas as idades, com departamentos por estilo e atendimento a lojistas e varejo. Tem calçados, bolsas, cintos e lenços. Contato: (51) 98441-2641.
Fora do Centro: ateliês e casas de bairro
Quem procura peça sob medida ou atendimento mais próximo encontra opções nos bairros.
- Bolicho do Armando — Av. Cavalhada, 2686, bairro Cavalhada. Pilchas, vestidos, chapéus e guaiacas. Fone: (51) 3072-3185.
- Gaudérios Pilchas — Rua Luiz Cosme, 425, Passo D’Areia. Confecção sob medida masculina e feminina, acessórios e artigos regionais. Fone: (51) 3013-5474.
- Tchê Bagual — Av. Assis Brasil, 3664, Jardim Lindóia. Vestidos, chapéus, pilchas e calçados. Fone: (51) 3061-8785.
- Quero Quero Pilchas — Av. Baltazar de Oliveira Garcia, 259, Jardim Itu. Vestidos, pilchas e acessórios. Fone: (51) 3344-3719.
- Recanto das Prendas — Rua Canela, 133, Cristal. Aluguel e confecção de vestidos de prenda. Fone: (51) 3242-1906.
Quanto custa montar a pilcha
Os valores variam conforme tecido, couro e acabamento; trate as faixas abaixo como referência e confirme na visita ou por telefone:
- Bombacha: de cerca de R$ 150 a R$ 400, dependendo do tecido (brim, jeans ou linho) e da confecção.
- Bota campeira: de aproximadamente R$ 250 a mais de R$ 700, conforme o couro e a marca.
- Guaiaca de couro: de cerca de R$ 120 a R$ 400, conforme acabamento e moedas de prata.
- Lenço: de R$ 25 a R$ 90, do mais simples ao de seda.
- Chapéu campeiro ou panamá: de cerca de R$ 80 a mais de R$ 350.
- Vestido de prenda: de cerca de R$ 200 a R$ 600, ou por aluguel em casas especializadas.
Dicas para comprar bem a sua pilcha
- Experiente o caimento: bombacha e bota devem permitir movimento, não apertar.
- Prefira couro legítimo em guaiaca e bota, que envelhecem bem e duram anos.
- Vá às lojas de bairro para peça sob medida e ao Centro para variedade e preço.
- Confirme horário e estoque por telefone antes da Semana Farroupilha, quando a procura dispara.
Fonte: Passarela do Comércio – Artigos Tradicionalistas de Porto Alegre, Hagah – O Bolichão, Atacado das Pilchas e Apontador – Casa do Peão.