Gastronomia

Cafés e confeitarias históricos de Porto Alegre: onde tomar o café da tarde à moda antiga

hermes_admin · outubro 8, 2026 · 4 min de leitura

Interior da Confeitaria Matheus, tradicional casa de Porto Alegre fundada em 1947 no Centro Histórico

Porto Alegre aprendeu a desacelerar em mesas de mármore. Se o churrasco escreveu a alma da capital, são as cafeterias e confeitarias antigas que guardam o ritmo manso do meio da tarde — o café passado, o pão fresquinho, a conversa que se estende. Segunda parada da Série Tradição, depois dos botecos, este é um roteiro para tomar o café da tarde à moda antiga no Centro Histórico.

Confeitaria Matheus: desde 1947 na Borges de Medeiros

Poucos lugares representam tanto a confeitaria porto-alegrense quanto a Confeitaria Matheus. Fundada em 1947 por Francisco Matheus na Avenida Borges de Medeiros, 421, no Centro Histórico, ela passou às mãos da família Fernandes em 1953 e chega hoje à terceira e à quarta geração. É parada clássica de quem trabalha na região: café da manhã, almoço, lanches e uma vitrine de tortas que resiste ao tempo.

Na hora do café da tarde, vale apostar nas tortas da casa — a Marta Rocha e a Sedução estão entre as mais pedidas — com um café coado ou cappuccino. O salão, amplo e sem pressa, é daqueles em que se fica mais tempo do que se pretendia.

Confeitaria Matheus — informações práticas

  • Endereço: Av. Borges de Medeiros, 421 – Centro Histórico, Porto Alegre
  • Telefone: (51) 3224-2179
  • O que pedir: tortas Marta Rocha e Sedução, salgados e cappuccino
  • Faixa de preço: doces e cafés a partir de faixas acessíveis; encomendas pelo WhatsApp da casa

Café à Brasileira: o refúgio do Centro desde 1992

A poucos quarteirões, na Rua Uruguai, 310, o Café à Brasileira ocupa um prédio histórico de mais de oito décadas e é tratado como o café mais tradicional do Centro. Filho de uma família portuguesa que chegou ao Brasil nos anos 1960, o espaço carrega a tradição da confeitaria lusitana: são célebres os pastéis de nata, inclusive em versões autorais como a de caramelo salgado com frutas vermelhas.

O café é do tipo exportação e o cardápio autoral vai do expresso ao almoço. Há estantes com livros que podem ser lidos à mesa — um convite explícito a demorar. É o endereço certo para o café da tarde no coração da cidade.

Café à Brasileira — informações práticas

  • Endereço: Rua Uruguai, 310 – Centro Histórico, Porto Alegre
  • Horário: seg. a sex. das 7h15 às 18h45; sáb. das 8h às 17h45
  • O que pedir: pastel de nata, café tipo exportação e bolos caseiros
  • Faixa de preço: itens a partir de R$ 5 em diante (referência de 2024)

Chalé da Praça XV: um clássico de 1885

Na Praça XV de Novembro, entre o Mercado Público e o Paço Municipal, o Chalé da Praça XV é um dos endereços mais antigos da cidade. Inaugurado em 1885 como quiosque de sorvetes e reformado ao longo das décadas, o casarão octogonal de arquitetura eclética é tombado pelo patrimônio municipal e mantém o papel de ponto de encontro do centro.

Frequentado no passado por escritores e intelectuais — Mário Quintana está entre os nomes ligados à casa —, o Chalé hoje funciona como bar e restaurante. No fim da tarde, é parada obrigatória para um chope gelado sob as figueiras, com tábua de petiscos e música ao vivo. Serve bem tanto para o café da tarde quanto para o happy hour.

Chalé da Praça XV — informações práticas

  • Endereço: Praça XV de Novembro – Centro Histórico, Porto Alegre
  • Horário: seg. a sáb. das 11h às 22h; domingos e feriados das 11h às 18h
  • O que pedir: chope gelado e tábuas de petiscos
  • Telefone: (51) 3225-2667

Como montar o seu roteiro de café da tarde

Os três endereços ficam a poucos minutos a pé uns dos outros, o que permite um roteiro tranquilo pelo Centro Histórico. Comece pela Confeitaria Matheus para os doces, siga até o Café à Brasileira para o café e os pastéis de nata e termine no Chalé da Praça XV, ao ar livre. Em qualquer um deles, a regra é a mesma: sentar, pedir sem pressa e deixar a conversa correr.

Vale confirmar horários e valores antes da visita, já que podem mudar em feriados e datas especiais.

Fontes: Confeitaria Matheus; Café à Brasileira; Sempre Cidade Baixa; Correio do Povo.

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