O chimarrão é mais do que uma bebida em Porto Alegre: é o gesto de boas-vindas do gaúcho. Não há pôr do sol no Guaíba, pausa no trabalho ou encontro de amigos que não comece com um convite sincero: “tchê, vem tomar um mate”. Herança dos povos guarani e caingangue, a infusão de erva-mate (Ilex paraguariensis) em água na temperatura de cerca de 70 °C segue viva, passada de geração em geração.
A tradição que atravessa os séculos
Os primeiros povos a usarem a erva-mate foram os guaranis e os caingangues, que viviam na região das bacias dos rios Paraná, Paraguai e Uruguai. Da herança indígena ao costume rio-grandense, o nome “chimarrão” vem do espanhol cimarrón, que significa puro, sem aditivos — exatamente como se toma: só erva, água quente e a boa conversa.
O laço com a capital é oficial. O Dia do Churrasco e do Chimarrão, celebrado em 24 de abril no Rio Grande do Sul, foi instituído em 2003 para homenagear o tradicionalismo gaúcho e o primeiro CTG do país, o 35 CTG, fundado em Porto Alegre em 1948. E o município de Venâncio Aires, no interior do estado, é reconhecido como a Capital Nacional do Chimarrão.
Como preparar o chimarrão perfeito
O ritual tem suas regras de respeito. Siga o passo a passo para cevar como manda a tradição:
- A cuia e a erva: encha cerca de 2/3 da cuia com erva-mate.
- O pó no topo: tampe a boca da cuia com a mão, vire-a de cabeça para baixo e chacoalhe bem — assim o pó fino sobe e a bomba não entope.
- A cavidade: incline a cuia e abra uma cavidade na erva com o cevador (vira-mate) ou com a própria mão.
- A água na temperatura certa: despeje água quente — nunca fervente, em torno de 70 °C — somente na cavidade, sem molhar toda a erva.
- A bomba: encaixe a bomba na cavidade, puxe o primeiro gole para “dar o gosto” e vá completando a água aos poucos. Cada pessoa toma até ouvir o “seca”, e o mate segue adiante.
Além do prazer, o chimarrão traz benefícios: é rico em antioxidantes, como polifenóis e flavonoides, e fornece vitaminas do complexo B, vitamina C e minerais como potássio, magnésio, fósforo e manganês.
Onde viver o ritual em Porto Alegre
Nada de deixar a tradição só na memória. A capital tem endereços certos para comprar, preparar e tomar um mate de qualidade.
Banca 2 Rancho Nativo — Mercado Público. Há 43 anos no ramo, a banca fica na Galeria do Mercado Público de Porto Alegre (Centro Histórico, CEP 90020-070) e moe erva-mate a granel todos os dias, com cuias, bombas, térmicas e mateiras à venda. O kit “Degustar”, com 8 tipos de erva-mate, sai por R$ 55; a cuia de madeira imbuia média custa R$ 80. Atendimento pelo WhatsApp (51) 3221-6936.
Chimarrito — tudo para chimarrão. Criada em 1996 pelo Sr. Normélio Redante, a casa é pioneira na fabricação de filtro para bomba de chimarrão e reúne cuias, bombas, mateiras e garrafas térmicas. Fica na Avenida do Forte 1343/204, com atendimento de segunda a sábado, das 9h às 12h e das 14h às 19h, pelo telefone (51) 99791-1170. O kit completo com todos os acessórios sai por R$ 177,77.
Parque Farroupilha (Redenção). Para tomar o mate no cenário mais tradicional da cidade, o parque de 35 hectares entre as avenidas Osvaldo Aranha, João Pessoa e José Bonifácio, tombado em 1997, é o ponto clássico do chimarrão no fim de tarde. Aos domingos, o Brique da Redenção completa o passeio.
Bônus: durante a Semana Farroupilha, em setembro, o Parque da Harmonia vira o grande acampamento gaúcho, com fogo de chão e rodas de chimarrão sem fim.
Fonte: Wikipédia — Chimarrão, Chimarrito, Banca 2 Rancho Nativo e Wikipédia — Parque Farroupilha.